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O Ventor em África

Foi assim, em 1968, em Marrupa, no Niassa. Ficamos os dois frente a frente, envolvidos por um mundo dourado

O Ventor em África

Foi assim, em 1968, em Marrupa, no Niassa. Ficamos os dois frente a frente, envolvidos por um mundo dourado

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O Vexilóide de Alexandre Magno

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Marrupa 68: foi assim que ele me olhou


Na rota do meu amigo Apolo com o vexilóide de Alexandre Magno e o mreu Leopardo


Em áfrica, tudo é grande e belo. Podem ver aqui o meu menu africano



Um PV2. Havia destes no Niassa, em operação. Bom dia Tigres onde quer que estejam


Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!

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03.09.15

O Ventor e a Águia


Quico e Ventor

A águia que queria matar o Ventor, em Vila Cabral, 1969.

Num dia bonito, cheio de sol, eu e o Sargento Dias resolvemos ir à caça de perdizes para fazermos uma caminhada naqueles belos outeiros com zonas cheias de capim. As perdizes saíram do chão e voaram para a nossa esquerda. Disse ao Sargento Dias para ir pela direita que eu iria pela esquerda do local onde as perdizes tinham pousado para as fazer voar para o lado dele.

 

Uma ilustração da decrição da espécie, feita po Lesson e publicada em 1830

Subi um morro onde o capim me dava pelo peito e pelos ombros, ficando, praticamente, apenas com a cabeça de fora. Na minha vertical esvoaçavam, em circo, um grade grupo de aves de rapina, especialmente, abutres e algumas águias. Mandei o Goldfinger e a Leoa pela minha esquerda e o Bolinhas, um cão pequenote, ficou junto de mim. Daquele grupo de rapináceas, destacou-se uma águia que voou quase na vertical, em minha direcção. Enviei um tiro de caçadeira browning, uma semi-automática de 5 tiros. Ela desceu mais e a alta velocidade. Enviei um segundo tiro e ela desce mais. O objectivo dos tiros era espantar a águia mas ela não se atormentou. Ao terceiro tiro, na defesa do Bolinhas, já lhe arranquei algumas penas. Como ela não desarmava, enviei-lhe o quarto tiro e parti-lhe uma asa.

A águia desviou de direcção. Esqueceu o Bolinhas e atacou-me a mim. Não ia ter tempo para lhe apontar o 5º tiro. Levantei a arma em posição de defesa, esperando a oportunidade de lhe dar o 5º tiro e mata-la mas não me deu tempo.

Quase me cobriu com aquele grande manto das suas asas mas, com o cano da arma, desviei-a de mim para a minha frente, caindo a meus pés e agarrando-me uma perna cravando aquelas garras enormes na minha perna esquerda protegida por umas botas de água com borracha e lona. Ela segurou-me a perna e eu coloquei-lhe a outra bota sobre o pescoço. Enquanto ela me tentava furar a bota eu tentava asfixia-la com a outra bota sobre o pescoço, calcando sempre.

Quando o Sargento Dias chegou espavorido junto de mim porque imaginara algo diferente, pois os tiros que eu dera não eram de quem faz fogo sobre perdizes, olhou e não via nada devido ao capim, perguntou-me: "que raio de tiros foram esses"?

Chegue aqui. Quando ele viu a águia com as duas garras cravadas na bota pergunta: "e se ela fura a porra da bota! Não lhe pode dar outro tiro"? Mais um tempinho e a águia estava morta.

Esta é a águia negra africana ou águia de Verreaux. Tirei da Wikipédia esta foto carregada por Orlica. É a águia mais parecida com aquela que matei em Vila Cabral, em 1969

Esta águia é uma grande águia que vai de 75 a 96 cm da ponta do bico à ponta da cauda. Os machos pesam entre 3 a 4 kg mais ou menos e as fêmeas entre 3 a 7 kg. Tem uma envergadura de asas de 1,80 a 2,30 m.

A que eu matei, pisava-lhe a ponta de uma asa com um sapato e o meu braço esticado não chegava à ponta da outra asa. Imaginem esse bicho a alta velocidade a aproximar-se da vossa cabeça! Com um peso razoável e com as penas da cabeça todas eriçadas, tornando-a maior, o impacto dela no cano da minha arma àquela velocidade, acho que o que me safou foi ela ter a asa partida. O estupor da águia foi mesmo suicida!




O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

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