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O Ventor e a África

Sonhando com o Passado, o Presente e o Futuro da África

Sonhando com o Passado, o Presente e o Futuro da África

O Ventor e a África


Foto do Cabeçalho: AB6 - Nova Freixo


O Ventor e a África ...


O Ventor e a África ...

... foi a Grande Caminhada do Ventor por África

O Ventor caminhou em África ...

... em Tempo de Guerra, continuando a viver as memórias dessa parte da sua Grande Caminhada


Podem ver aqui todos Os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar




Deixem passar o T-6



AB6

O Ventor em Moçambique


O Ventor em África - Moçambique.

Amigos, o Ventor não gosta muito de falar da Guerra. Diz que há coisas que devem morrer para sempre e as guerras são dessas coisas, mas ele, apesar de tudo, gosta m
uito de falar de África.

Afinal, porque não?!
Não podemos colocar uma esponja sobre a História, diz ele
.

Essa zona verde à esquerda do Canal de Moçambique, quem sobe, frente a Madagascar, é Moçambique, e Moçambique é a paixão do Ventor.
O Ventor costuma dizer que essa é a sua 2ª Pátria. Esteve lá apenas 26 meses, vejam só! E diz que foi amor para sempre.

O Ventor pensou em ser ele a escrever a história da sua estadia lá, desde o primeiro ao último dia. Mas desistiu. Só que eu vou-vos contar algumas das histórias que lhe ouvi muitas vezes.

São histórias desgarradas, mas são giras, para mim, claro!

Vou-as contando à medida que me for lembrando e espero que

sejam giras para vocês também.

Espero que gostem
.

africa1.jpg

África
O continente africano é um continente mágico
A minha homenagem a todos os duros do Niassa, meus companheiros de guerra
O meu Menu africano
23
Dez18

Natal de 1969, em Vila Cabral

Quico e Ventor

Era uma vez no Niassa.

Na antevéspera de Natal de 1969, no dia 23 de Dezembro, estávamos nós mergulhados numa grande trovoada sobre o AM61. Faz hoje 49 anos este acontecimento que nunca esqueço.

 

Com a ajuda de Celine Dion, deixo aqui para todas as mulheres de Vila Cabral desse Natal de 1969, os meus votos de Boas Festas, pelo menos para todas que por cá andam, 49 anos depois e espero que sejam muitas

santa-claus.png

Este saco com que o Pai Natal anda hoje por aí a distribuir prendas, talvez seja o mesmo que nos levou o bolo rei, em Vila Cabral

 

Os raios e os trovões eram por demais e, de repente, começamos a ouvir cair morteirada para os lados de Nova Madeira, relativamente perto de Vila Cabral e da Força Aérea. Aquela morteirada misturada com o ribombar dos trovões, transformou Vila Cabral numa cidade em pé de guerra e amedrontada. Um capitão que comandava uma companhia que tinha chegado um ou dois dias antes, estava a beber uma cerveja no café Planalto. Ao ouvir a morteirada correu para o seu batalhão, alertou a sua companhia gritando: “a Força Aérea está a ser atacada, tudo para as berliers”!

 

Os seus homens vestiram-se e calçaram-se conforme puderam (acabando de o fazer nos seus transportes), pegando as suas armas sempre a correr e atravessando Vila Cabral a toda a velocidade. Eu estava de serviço no Posto de Rádio e, ao ouvir aquela malta entrar pelo AM61 dentro, saí para ajudar a estacionar as viaturas e perguntar o porquê de todo aquele aparato. O tal capitão contou-me tudo e, entretanto, chegou junto de nós mais meia companhia dos comandos que estavam ali perto de nós. Metade ficou para defenderem “a sua casa”, a outra metade foi juntar-se a nós para nos ajudarem a defender a nossa. Todos estavam convictos que o ataque de morteirada caia sobre a Força Aérea e era necessário juntarmos forças para a defesa.

 

Eu estava todo molhado como um pintainho e o telefone no posto de rádio tocava. Entrei e atendi. Era uma senhora de Vila Cabral que perguntava apenas isto: «vocês estão a ser atacados»? “Não minha senhora aqui ainda não caiu morteirada nenhuma”! «Mas nós estamos a ouvir as explosões e o barulho dos morteiros vem daí»! Fui informando aquela senhora e outras do que se passava mas não acreditavam em mim. Achavam que eu mentia para as acalmar mas eu só dizia a verdade. Não havia, nem tiros de balas na Força Aérea, em Vila Cabral e muito menos tiros de morteiros. Não sabia como lidar com a incredibilidade que elas tinham da minha informação, pois pensavam tratar-se apenas de uma mentira. Mas era a pura verdade.

«Aguemtem-se, que amanhã, as mulheres de Vila Cabral, vão fazer o melhor bolo-rei do mundo para o vosso Natal»

 

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Noite de Natal de 1969, a note seguinte, lá estou eu a comer o tal melhor bolo rei do mundo

 

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Aqui, o nosso amigo açoriano, Leão, coloca um pouco da cerveja que tinha na garrafa para regar mais um pouco o meu bolo rei

 

No dia seguinte, junto ao belo pinheiro que eu roubei ao Engenheiro, grande chefão das florestas do Niassa, que não mo quis dar, comemos o tal bolo rei que seria o melhor do mundo. E então não é que era! Não pelo bolo rei, mas pelo amor com que foi feito. E assim, Trovões, Relâmpagos, Morteiros, Exército, Comandos, Força Aérea e Mulheres de Vila Cabral e o seu bolo rei, estivemos todos unidos no mesmo combate.

 



O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

Música de África

Os sons de África

Ventor e Goldfinger

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Amigos inseparáveis, mas o tempo foi curto

Mapa de Moçambique-autor:André Koehne


Aeródromo Base 6

O leopardo. Foi assim em Marrupa

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O Corvo de Moçambique

Vamos a jogo com o lagarto?

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