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  <title>O Ventor em África</title>
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  <description>O Ventor em África - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Thu, 09 Apr 2020 14:42:15 GMT</lastBuildDate>
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    <title>O Ventor em África</title>
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  <pubDate>Thu, 09 Apr 2020 14:41:00 GMT</pubDate>
  <title>A Senhora da Lângua</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Morta pela ilusão do calor que lhe dava vida, e ...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu sei que o Ventor ainda hoje lamenta alguns bocados da sua passagem por Moçambique e este é um deles. Mas também em locais tão longe do mundo e escondidos na selva ou quase, como se haviam de entreter? Caminhar, caminhar, caminhar ... e nem todos gostavam disso! A vida deles não era só defenderem-se dos &quot;turras&quot; e continuarem a levantar-se todos os dias. Era necessário continuarem a levantar-se todos os dias mas, continuar, também, a viver a vida!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;«Esta é mais uma história verdadeira passada comigo e com Companheiros de Guerra».&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Todas as histórias começam com: &quot;era uma vez&quot; ou, &quot;once upon a time&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Faz muitos anos, nas longínquas &quot;lânguas&quot; de Marrupa, quatro marmanjos nascidos neste belo jardim, à beira mar plantado, decidiram ir à caça numa das mais belas terras de África - Marrupa, que significa, em linguagem indígena, Desterro. Não é o Desterro de Belém, não! É mesmo um Desterro na selva!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Partimos direitos à &quot;picada&quot;, não no fim ou no princípio, mas no meio de algures, que nos poderia levar até ao fim do mundo, mas logo saímos dela, penetrando num matagal sem fim! Tomamos posições e, como sempre, lá continuava eu na ponta esquerda. Tinha sempre a direita protegida e a esquerda era comigo e, por vezes, as situações tornavam-se bem difíceis!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Neste caso, foi a mim que calhou enfrentar uma grande queimada que partira da lângua para o meu lado e à direita da lângua, para fugirem à queimada, partiam os outros três amigos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas eu tinha tendência para me afastar e a queimada começou a empurrar-me para fora dela, pois apesar de tentar fugir aos matos queimados, já estava pior que um carvoeiro. De repente, enquanto magicava como sair daquela, sem ficar isolado, ouço gritar: &quot;Ventor! ...&quot; Pensei que estavam aflitos, pois de outra maneira não gritavam! Desato numa correria louca sobre o outeiro queimado direito à lângua e lá do alto, vejo lá no fundo, os três com as armas em riste! Mas lá, o mato e o capim não tinham ardido e eu só os via do peito para cima e cada vez mais corria perante o espectáculo da estupefacção daquelas três caras alarmadas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quando me viram, gritaram para ter calma e eu, como não tinha ouvido nenhum tiro, achei que, se calhar, encontraram alguém ferido ou, então, deram cabo de algum &quot;turra&quot;, à coronhada!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;marrupa.jpg&quot; height=&quot;702&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/G4317e2ce/21941459_yRjdv.jpeg&quot; style=&quot;width: 1024px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;1024&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;AM 62 - Aeródromo de Manobras 62, Marrupa, em 1968, no centro norte de Moçambique, Distrito do Niassa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Aqui passei oito meses e meio da minha vida. Nesta foto estamos a ver o edifício que albergava a messe, o comando ao centro e na ponta direita, não visível, estava o posto de rádio com as suas antenas por cima do telhado. Depois há um espaço aberto e mais junto ao arame farpado está o nosso bar, o Calhambeque. À esquerda da foto, ficam as camaratas do pessoal. A nossa camarata, 3 mangas, era no posto de rádio. Ali trabalhávamos e dormíamos, sempre alerta! Lá fora do arame farpado, o meu campo de exercícios, as &quot;lânguas&quot; de Marrupa. Quilómetros em volta do arame farpado, só ou acompanhado, desafiava o improviso, caminhando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Bem, à medida que me aproximava e nada via, ouvi um deles dar um tiro. Pum!!! No vale parecia que toda a selva se desmoronava! Pum !!! Outro! Aproximei-me e vejo o que não imaginava! Uma jibóia com 4,70 metros, o que para nós a tornava colossal! Deu-lhe os dois tiros porque, segundo eles diziam, estava a levantar-se em tom ameaçador! Tinha os dois tiros de G-3 na cabeça. Um no centro e outro mais ao lado. Fazia pena ver a bicha ali, estirada, sem razão aparente e eu não gostei nada que ela tivesse sido morta, ali, fora do seu buraco, pois o aquecimento da queimada tinha atirado com ela, cá para fora, como se tivesse havido por ali, um bafo de Primavera.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas o mal estava feito! Agora era pega-la e leva-la até ao Aeródromo, como troféu!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Peguei num punhal do mato e cortei um arbusto que o meu amigo Rafael, um Macua de Marrupa, me tinha ensinado como fazer uma corda na selva com a sub-casca de árvore ou arbusto. Atei aquela fitinha em volta da cabeça da jibóia e a um pau; nesse instante, ela levantou aquela cabeçorra a espirrar terror e sangue contra mim e eu só tive tempo de lhe tentar esmagar a cabeça com o tacão da bota. Só parei quando achei que estava bem esmagada, não fosse fazer uma tentativa igual emanada de um terror inimaginável!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;constrictor.jpg&quot; height=&quot;580&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B4c185272/21941488_JpNlh.jpeg&quot; style=&quot;width: 960px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma boa constrictora tirada do Pixabay&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Dei os nós cegos à fita tirada do arbusto e comecei a arrasta-la. Era bem pesada e tivemos que nos revezar para a levar de rastos até à base. Fomos pelo corta-mato até à pista e custou-nos bastante, pois estávamos muito longe. Quando cheguei à pista com ela sempre a fungar sangue e terror, olhei bem os olhos mortíferos do animal e achei que ela se recusava a morrer! Eram cinco horas locais quando chegamos e estavam os negros civis a abandonar o trabalho que realizavam para os nossos serviços de infra-estruturas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Pedi a um deles para lhe cortar a cabeça com uma catana mas, o gajo disparou numa correria louca, e outro, e outro e ainda mais outro! Todos fugiam, até que um, bem mais atrevido, se aproximou com uma catana e lhe deu o golpe de misericórdia, cortando-lhe a cabeça. Era uma jibóia média mas já metia muito respeito a qualquer e preparava-se para ser a grande senhora das &quot;lânguas&quot; de Marrupa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ainda hoje lamento a morte daquela bela &quot;rapariga&quot; que com dois tiros de G-3 na cabeça, tão valentemente tentou insurgir-se contra a morte e contra os seus carrascos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>marrupa</category>
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  <pubDate>Mon, 07 Jun 2010 19:48:15 GMT</pubDate>
  <title>Um abraço ...</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;... para tdos mas, especialmente, para estes que há muitos anos não vejo e outros que andam por aí.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O Abdulah, como diz o Louco da Malásia (já falei com ele ao telefone e sei onde está); e o Dantas, Pátria Portuguesa, como digo eu (desconheço o seu paradeiro).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/n5404384a/6534259_zDiin.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt;Em Marrupa, no Calhambeque?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/n5304bb09/6534258_EooPf.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt;Em Marrupa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;São fotos das nossas caminhadas pelo Niassa, mais precisamente por Nova Freixo (AB 6), por Marrupa (AM 62) e Vila Cabral (AM 61).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Elas servem para aqueles que passam por aqui, recordarem.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Hello!!!!&lt;/p&gt;</description>
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  <category>niassa</category>
  <category>marrupa</category>
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  <pubDate>Fri, 25 Apr 2008 18:27:40 GMT</pubDate>
  <title>Amigos ... de Sempre</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Fui dar uma caminhada pelo Blog do nosso amigo Fafe e verifiquei que mais um dos Companheiros de Guerra do Ventor, foi levado para companhia do Senhor da Esfera e de que o Ventor não tinha conhecimento - Meireles (&lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt;o Neca do magazine&lt;/span&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os quatro da linha da frente, nesta foto, já nos deixaram e deixaram muitas saudades. Dos da linha de trás, o Ventor não sabe nada. Alguém sabe?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Podem ver aqui a homenagem do Fafe, às últimas partidas inesperadas dos nossos belos &lt;a href=&quot;http://ofafe.blogspot.com/search/label/A%20B%206%20-%20Adeus&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #00ff00;&quot;&gt;Amigos... de Sempre&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Deixo-vos aqui o link do Blog do Fafe para, se o quiserem, poderem ouvir a &lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt;Nana Mouskoury&lt;/span&gt; a cantar&lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt; La Paloma&lt;/span&gt;, tal como o Chinita gostava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-color: black; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/quico/pic/000zs93k&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt; &lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt;O do centro, nos três da frente, é o nosso amigo Costa, que nos deixou há dias. Um terrestre entre aéreos, como diz o nosso amigo Fafe!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;É assim que o Ventor vai sabendo da partida de alguns daqueles que partilharam de belos momentos das suas caminhadas mas que, por vontade do Senhor da Esfera, se foram adiantando no ciclo do tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>&quot;nova freixo&quot;</category>
  <category>marrupa</category>
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  <category>&quot;amigos de sempre&quot;</category>
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  <pubDate>Sun, 23 Mar 2008 01:33:17 GMT</pubDate>
  <title>Mais uma Páscoa</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #00ff00; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Marrupa, 1968 - Domingo de Páscoa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Ventor, desde que o conheço, todas as Páscoas me fala das vossas sagas! Desta vez, agora que alguns de vós já têm conhecimento do &quot;sítio nético&quot; onde estamos, ele fala, directamente, deste nosso sítio, para todos aqueles que sabem da nossa existência. Para vós e para todas aquelas que já  foram ou são ainda, as vossas grandes companheiras de outras caminhadas - Especialmente, as vossas esposas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Algumas, o Ventor teve o grato prazer de vir a conhecer, naquele lindo encontro na casa do nosso grande  amigo, em Alfundão. Para todas elas, um beijinho muito especial, do Ventor da minha dona e também meus - este vosso amigo Quico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Escutem o Ventor:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;«São 40 anos que passaram por nós!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;São 40 anos que, de domingo em domingo de Páscoa, eu aprecio esta imagem de nós todos que, então, se encontravam naquela que foi, e ainda é, Marrupa!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Marrupa, Domingo de Páscoa de 1968&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;E a Páscoa de 1968, em Marrupa, é a única que recordo, pela foto e pelas três amêndoas. A Páscoa que passei, no ano seguinte, em Npva Freixo, pouco me diz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Hoje, Dmingo de Pácoa,  vou comer as minhas 3 amêndoas, como nesse dia e como todos os outros que ouve desde então. Se alguém comeu mais que três, foi batoteiro! Três foram quantas me calharam!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para todos vós, que resistiram  a essa e outras sagas da sua grande caminhada, os votos de que as amêndoas não vos faltem  em nenhuma Páscoa da vossa vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Vocês nem imaginam a alegria com que tenho, pelos anos fora, olhado essa fotografia! Este ano reparo nela num misto de algeria pelos que cá andamos e de trsiteza, porque fui informado que o Piloto Aleixo também já tinha falecido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Recordo bem a garra com que ele comia essa sopa!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eles, os que partiram, continuam connosco, porque o nosso coração estará sempre junto deles, na recordação desse nossos velhos tempos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para todos vós, para todos os duros do Niassa, que passaram por Marrupa, Vila Cabral e Nova Freixo, os meus votos de mais uma Páscoa cheia de saúde, e  um abraço simbólico com as minhas três amêndoas, como as de Marrupa. Este abraço, estende-se às vossas esposas que passaram por Alfundão e a todas as outras que não conheço. Elas, as nossas companheiras das outras caminhadas, são a nossa outra metade das nosss vidas»!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-color: black;&quot; src=&quot;http://ventor.blogs.sapo.pt/arquivo/Mar,25-amendoas1.jpg&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Tiro sempre três para mim. Podem ficar com as outras&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h3 style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #33cccc; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Um Domingo de Páscoa muito Feliz para todos&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;</description>
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  <category>niassa</category>
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  <pubDate>Wed, 09 May 2007 20:26:56 GMT</pubDate>
  <title>Aos Duros do Niassa</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
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  <description>&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Sou o Goldfinger!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Lembram-se de mim?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu regressei ao Planeta Terra, pelas mãos do Ventor, para vos saudar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;A todos os Duros do Niassa que conviveram comigo, por aquela terra linda a que chamávamos Vila Cabral, actual Lichinga, o meu abraço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Ventor quer que eu o acompanhe por aqui para permanecermos, juntos, a vosso lado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu fui um cão feliz enquanto convivi convosco, mas já nessa altura sofria muito. Todos vocês chegavam e partiam num ápice. Eu arranjava amizade convosco e depois perdia-vos! A Leoa dizia-me: &quot;deixa-os ir Gold, assim como assim, não nos ligam&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas eu sei que ligavam e sei que, caladinhos, choravam, ao partir, enquanto eu chorava sempre ficando para trás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Depois, bem, depois, nem vos conto! Apenas, vos digo o que disse ao Ventor!  Vieram os outros e mataram-nos, descarregando sobre nós, sobre mim e os meus companheiros, pobres animais, as suas frustrações terroristas! Não, não tenham vergonha! Era assim que lhe chamavam, lembram-se?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu tive muitos amigos, cada um de vós era um amigo, mas chorei pelo Ventor e sei que o Ventor chorou por mim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;De momento, aproveito para vos saudar, mas voltarei para conversar convosco!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-color: black;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt/gold/pic/00036c95/s500x500&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;center&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Vila Cabral, 1969, travões ao fundo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ffcc99; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Lembro-me de correr ao lado do Ventor para chegarmos rápido. O Leiria da Torre, na frequência civil, avisou que os céus estavam disponíveis e podiam avançar. O avião da frente não ouviu a mensagem e o de trás ia para cima dele. Para evitar danos maiores, travões ao fundo e afucinhou!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Olá, Duros!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>&quot;nova freixo&quot;</category>
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  <lj:music>Todas as que ouvia convosco</lj:music>
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  <pubDate>Tue, 18 Apr 2006 23:10:36 GMT</pubDate>
  <title>Rios de Som</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
  <link>https://goldeventor.blogs.sapo.pt/11219.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Em Tempos de Guerra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Diz-me o Ventor e eu sei disso, pois sou obrigado a ouvir música com ele:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;«Sempre fui um atento ouvinte de músicas. Belas músicas! Normalmente, não fixo os nomes dos muitos autores, dos muitos cantores, dos muitos músicos, das muitas empresas gravadoras. Excepcionalmente o faço. As músicas têm de entrar nos meus ouvidos e ficar por lá.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma vez entrei numa janela da Net e, no meio de muitas coisas boas, encontrei um tema que se chamava Rios de Som e a que achei muita piada. Caminhei algum tempo entre esses amigos que, por sinal, directa ou indirectamente, me ajudaram a recordar os meus Tempos de Guerra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;E isso fez recordar-me que, pelos meus Tempos de Guerra, também passaram muitos Rios de Som que eram expelidos dos Hamarlunds da Força Aérea, uma extraordinária companhia. Lembro-me de, pelas noites dentro, sintonizar a Rádio Nova Iorque, em ondas curtas, que tinha uma emissão para a América Latina, em espanhol e que, eu, sempre que podia, conseguia ouvir em Moçambique e, pela Rádio Nova Iorque recebia beijinhos de estudantes de várias universidades americanas, da Íris, a minha Companheira de Guerra e de algumas das suas amigas da Universidade de S. João de Porto Rico que atravessavam o éter cheios de Rios de Som. Estes beijinhos eram, apesar de tudo, para o Ventor e para a Força Aérea Portuguesa, no norte de Moçambique. Elas telefonavam para a Rádio Nova Iorque e os locutores encarregavam-se de fazer o resto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Aqui Rádio Novaiorque! - lá vinham eles! ...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nos Hamarlunds da Força Aérea, corriam os nossos Rios de Som que, algumas vezes, eu colocava nas cabinas dos pilotos para descomprimirem das agruras da solidão, nos mais belos céus do mundo e, por vezes, os mais temidos também, pelos seus gigantescos cúmulo-nimbos, por vezes mais negros de que a própria África, ajudando assim, no regresso à nossa &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Lápide de Arame Farpado&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Obladi, Obladá, Hey Jude, Love me do, Penny Lane, All you need is Love, Let it be, Get Back, ... dos Beatles. Reach out, I&apos;ll be there, dos Four Tops (uma música das minhas favoritas que utilizei como lema), My Sentimental Song, for my Sentimental Friend, Let him live, ... e, tantas outras! Se isto para muitos de vocês é fuleiro (?), para mim, são Rios de Som que me alegram a alma, que me movem no passado, no presente e no futuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ao ouvirem em plena campanha aérea, o Obladi, Obladá, que partia do nosso centro de operações e entrava nas suas cabinas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Dizia um piloto - &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Rima e rimará&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Dizia outro - &lt;em&gt;&lt;strong&gt;na nuca do papá&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ao meu lado, alguém alvitrava:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&quot;Estes, mal aterrem, vão levar já com uma participação, em cima&quot;! Dizia o Clark Gable.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&quot;Não posso admitir coisas destas, senão, sobra para mim&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Era assim que chamávamos a este Tenente Coronel. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Olá, Clark Gable&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!!!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Sem música, pode informar o Comando Avançado, que vão fazer a guerra sózinhos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quando o Clark Gable, vê no seu estilo de pai macabro, um piloto rodesiano (para os menos atentos, nós também ensinamos os outros) correr para mim, para me perguntar quem era o piloto do avião X e eu lhe disse. &quot;Goldfinger&quot; e apontei-o, o Clark Gable vê o rodesiano abraçado a mim a gritar que &lt;em&gt;&lt;strong&gt;éramos extraordinários, que nunca imaginara nada assim e vai a correr abraçar-se ao Goldinger&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, cheio de alegria espontânea, o nosso Clark Gable, virou-se para mim - &lt;em&gt;&lt;strong&gt;são mesmo! Vocês são mesmo extraordiários&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Todos num só, quais mosqueteiros!&lt;em&gt;&lt;strong&gt; Obladi, Obladá&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Grita o Clark Gable: &quot;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;os cornos do papá&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;A guerra continuou de noite e de dia. Cada um a travava conforme os planos traçados ou, conforme as contingências do momento. De Marrupa, voltei a Nova Freixo, de Nova Freixo, parti para Vila Cabral (actual Lichinga). Aqui estive mais seis meses e meio. Seis extraordinários meses e meio! Caminhando a meu lado, sempre a Íris que, entretanto, arranjara um namorado, mais um que começou a acompanhar o nosso trajecto e que poderei chamar, também, Companheiro de Guerra porque nunca se opôs que a íris continuasse a sua correspondência comigo por longos meses e que, mais tarde acabou por casar com ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Regressei a Lisboa onde recebi uma carta da Íris a dizer-me que acabara o curso dela e que tinha sido pedida em casamento. Desejei-lhe felicidades e terminamos a nossa correspondência como bons amigos que fomos, durante muito tempo. Ela acabou o curso e ia casar, eu acabei a guerra e ia procurar emprego. Terminaram as razões que nos ligaram mais de quatro anos. Darmos a conhecer os nossos mundos, um ao outro. No entanto, reconheço hoje que foi uma pena termo-nos perdido para sempre. Fomos mudando de vida, mudando de locais e fomos-nos adaptando a novas realidades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; title=&quot;2018-06-09 14-11-23_0039.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/G2a0204ce/21094684_qZpWh.jpeg&quot; alt=&quot;2018-06-09 14-11-23_0039.jpg&quot; width=&quot;700&quot; height=&quot;393&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma rosa chamada íris&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;A íris, tinha sido uma verdadeira Companheira de Guerra! Posso muito bem recorda-la como uma rosa».&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 14 Mar 2006 20:39:18 GMT</pubDate>
  <title>Companheira de Guerra</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
  <link>https://goldeventor.blogs.sapo.pt/10591.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;em Tempos de Guerra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;E, integrada neles, uma bela Companheira de Guerra!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para os Duros do Niassa: imaginem que estão a sonhar com o AM 62 - Aeródromo de Manobras 62, em Marrupa, no ano de 1968 e, estão a vê-lo de noite. Tenho de procurar o nosso Bar - o Calhambeque - para bebermos umas laurentinas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Pois é amigos, o mundo dos homens é, realmente, muito complicado! Este Ventor põe-me maluco só em fazer-me pensar pelo que eu poderia ter passado se fosse homem, da geração do Ventor, no século que passou!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Ventor disse-me que podia escrever aqui, parte da sua caminhada por África, em Tempos de Guerra. Mas não devia contar mais que o estritamente necessário para dar a conhecer às gerações futuras, partes inesquecíveis do nosso (vosso, de homens) passado colectivo. Eu sou gato, fico de fora!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Por isso, continuarei a falar da caminhada do Ventor, em Tempos de Guerra, nos seus contactos com os animais de África mas, também, da sua caminhada nos trilhos da Guerra, cheios de alegrias e tristezas, mortes de uns e uma vontade enorme de viver, de outros. Xiu!!!! Aqui para nós, eu sei que o Ventor chorou em África.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Para isso vou começar a falar da Guerra, introduzindo aqui, uma das mais belas companheiras que o Ventor nunca teria imaginado se não fosse real.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Não vou dizer aqui o seu nome mas, ela foi a melhor companheira de guerra que um combatente poderia imaginar! Também tenho uma foto dela mas ai de mim se a colocasse nesta janela para todos olharem!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Como? O Ventor diz que posso dizer que o nome próprio dela é (era) &quot;Íris&quot; e que, quanto à fotografia, posso representa-la por esta flor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; title=&quot;2018-06-09 14-11-23_0039.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Ge512e191/21094683_lY6Yh.jpeg&quot; alt=&quot;2018-06-09 14-11-23_0039.jpg&quot; width=&quot;700&quot; height=&quot;393&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Imaginem que esta flor foi a Companheira de Guerra do Ventor&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Então, o Ventor começa assim:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;«Um dia, na Ota, na Base Aérea 2, recebemos uma montanha de cartas de várias universidades americanas. Um dos meus Companheiros de Guerra, conhecia alguém na Embaixada Americana, em Lisboa, creio que o Adido para a Imprensa e, através dele, enviou uma mensagem para um jornal dos States, creio que o New York Times, que rezava assim: &quot;soldados alunos da Força Aérea Portuguesa, da Base Aérea 2, Ota, pretendem corresponder-se com alunas das universidades americanas ... &quot; - em inglês, claro!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma tarde, eu entrei na Camarata onde havia uma grande algazarra e, esse meu Companheiro de Guerra, tinha, em cima da cama, literalmente, uma montanha de cartas. Todos mexiam naquele grande bolo de papel e ele, como senhor do dito, dava as suas instruções, no sentido de distribuir, fatia a fatia, por todos. Olhei apressadamente e ele disse-me; &quot;pega aqui numas quantas, lê e escolhe! Eu ri-me, deitei a mão pelo meio delas e apanhei uma à sorte. &quot;Só&quot;! - Perguntou-me ele. &quot;E chega-me&quot; - disse eu. &quot;Pensa que não tenho que fazer&quot;?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eles continuaram a algazarra que, afinal, era muito simples. Escolher as cartas com origem em determinada Universidade. Uns queriam a, outros queriam b e assim por diante mas, eu, tirei à sorte! Saiu-me uma bela menina da Universidade de S. João de Porto Rico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Um ou dois dias depois, abri a carta que era uma simpatia para qualquer de nós. Li, reli e voltei a ler e, depois, perguntei-me, a mim mesmo, &quot;porque não&quot;?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Escrevi à menina que se prontificou a ser animadora das nossas juventudes nas guerras africanas e, posteriormente, teve a coragem de me seguir, por correspondência, durante mais de quatro anos. Ela contava-me a sua vida, na Universidade de S. João de Porto Rico e eu, contava-lhe a minha na Força Aérea Portuguesa. Ela falava-me da sua terra e eu da minha. Ela falava-me do que sabia e do que aprendia comigo e eu, falava-lhe do que sabia e do que aprendia com ela. Ela foi uma verdadeira Companheira de Guerra. Eu não tinha Madrinha de Guerra, muito em voga, na altura, não ligava a isso mas, ela, foi a mais bela Madrinha de Guerra que eu podia ter imaginado!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&quot;Ventor, todas as noites choro e rezo por ti. Choro ao ler as tuas cartas de Moçambique e choro ao ler as cartas do meu irmão do Vietname. Todas as noites rezo por ti e por Moçambique, pelo meu irmão e pelo Vietname. Toda as noites ouço as vossas músicas que, com tanta alegria me referenciam. Aqui, na Universidade de S. João de Porto Rico, nós somos contra as guerras. As minhas companheiras mais amigas, nesta Universidade, que me acompanham em algumas leituras de algumas das vossas cartas, choram comigo. Umas vezes choramos de tristeza, outras vezes, choramos de alegria. Ouvimos as vossas músicas quase como uma religião. Eu não te conheço mas, chego a convencer-me que te conheço muito bem e até moramos na mesma rua. Sei que também estás dentro do arame farpado como o meu irmão, neste momento, na Base Aérea de Danang, sítio horroroso do Vietname. Que Deus vos traga de volta às vossas casas, peço sempre à nossa Senhora de Fátima e à Padroeira de Portugal&quot;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Provavelmente, a nossa Padroeira também será a deles porque a Senhora de Fátima já sabemos que também é!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Esta moça tinha um nome bonito que, durante cinquenta e tal meses, foi minha companheira de venturas, através de esferográfica e de folhas de papel.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ao chegar a Luanda, encantado com a beleza daquela Baía, morto de sede e de fome, dei prioridade às comunicações com familiares e amigos e enviei um postal da cidade para a minha &quot;Companheira de Guerra&quot; de além-Atlântico e depois da minha chegada a Moçambique, reatei os nossos contactos para a minha nova morada, o SPM-Serviço Postal Militar. Sempre que me mexia, contactava-a para não nos perdermos. É engraçado que lhe falava de quase tudo, à posterior e nunca fui incomodado por isso! Para além da Guerra e das minhas tarefas distribuídas, eu fazia grandes caminhadas e tirei algumas fotos com uma bela máquina a preto e branco que era do melhor que havia como marca mas, depressa deixou de funcionar. Os trambolhões, a humidade, as dilatações provocadas pelo calor, o pó e tudo o mais, levou-a a desaparecer do meu convívio, muito rapidamente. Assim, além das caminhadas, o meu passatempo, passou a ser, ainda com mais afinco, a música.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Assim, muitas vezes, ouvia música pela noite dentro, através da Rádio Clube de Moçambique e LM Radio e quantas vezes ao som dessa música e inspirado por ela, escrevia as minhas cartas para a minha &quot;companheira anti-beligerante&quot; que, com armas e bagagens se batia de outra forma, na Universidade de Porto Rico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Como ela me dizia, quase todas eram contra as guerras mas, ser contra as guerras, não significava que fossem contra aqueles que eram obrigados a combater nelas. Por razões mais que óbvias, se assim fosse, ela teria de ser contra o seu irmão na Guerra do Vietname e contra mim, na Guerra de Moçambique. Eram sim, contra as razões que levavam os homens à guerra e não contra os combatentes em si&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Diz o Ventor que esta moça, de origem hispânica,, era muito inteligente e teria, certamente, uma miscelânea de sangue espanhol, Azteca, Maia ou dos amigos Incas do Ventor. Os seus olhos negros, saídos de uma tez morena e viva, indicavam ao Ventor, traçados das caminhadas do seu passado que desde há milénios fez entre os Incas, seus companheiro galácticos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Que a Iris (digo eu) seja muito feliz no seu S. João de Porto Rico ou, algures, em qualquer canto do Mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>marrupa</category>
  <category>companheira</category>
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  <pubDate>Fri, 09 Dec 2005 22:41:32 GMT</pubDate>
  <title>A Senhora da Lângua</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Morta pela ilusão do calor que lhe dava vida, e ...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu sei que o Ventor ainda hoje lamenta alguns bocados da sua passagem por Moçambique e este é um deles. Mas também em locais tão longe do mundo e escondidos na selva ou quase, como se haviam de entreter? Caminhar, caminhar, caminhar ... e nem todos gostavam disso! A vida deles não era só defenderem-se dos &quot;turras&quot; e continuarem a levantar-se todos os dias. Era necessário continuarem a levantar-se todos os dias mas, continuar, também, a viver a vida!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;«Esta é mais uma história verdadeira passada comigo e com Companheiros de Guerra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Todas as histórias começam com: &quot;era uma vez&quot; ou, &quot;once upon a time&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Faz muito anos, nas longínquas &quot;lânguas&quot; de Marrupa, quatro marmanjos nascidos neste belo jardim, à beira mar plantado, decidiram ir à caça numa das mais belas terras de África - Marrupa, que significa, em linguagem indígena, Desterro. Não é o Desterro de Belém, não! É mesmo um Desterro na selva!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Partimos direitos à &quot;picada&quot;, não no fim ou no princípio, mas no meio de algures, que nos poderia levar até ao fim do mundo, mas logo saímos dela, penetrando num matagal sem fim! Tomamos posições e, como sempre, lá continuava eu na ponta esquerda. Tinha sempre a direita protegida e a esquerda era comigo e, por vezes, as situações tornavam-se bem difíceis!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Neste caso, foi a mim que calhou enfrentar uma grande queimada que partira da lângua para o meu lado e à direita da lângua, para fugirem à queimada, partiam os outros três amigos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas eu tinha tendência para me afastar e a queimada começou a empurrar-me para fora dela, pois apesar de tentar fugir aos matos queimados, já estava pior que um carvoeiro. De repente, enquanto magicava como sair daquela, sem ficar isolado, ouço gritar: &quot;Ventor! ...&quot; Pensei que estavam aflitos, pois de outra maneira não gritavam! Desato numa correria louca sobre o outeiro queimado direito à lângua e lá do alto, vejo lá no fundo, os três com as armas em riste! Mas lá, o mato e o capim não tinham ardido e eu só os via do peito para cima e cada vez mais corria perante o espectáculo da estupefacção daquelas três caras alarmadas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Quando me viram, gritaram para ter calma e eu, como não tinha ouvido nenhum tiro, achei que, se calhar, encontraram alguém ferido ou, então, deram cabo de algum &quot;turra&quot;, à coronhada!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;media-link&quot; title=&quot;Nov, 25 119.jpg&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/gold/fotos/?uid=ZTI0aE1mBvBM777fFVn3&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;&quot; title=&quot;Nov, 25 119.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Bd4124fb3/19943521_h7KYp.jpeg&quot; alt=&quot;Nov, 25 119.jpg&quot; width=&quot;580&quot; height=&quot;397&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;AM 62 - Aeródromo de Manobras 62, Marrupa, em 1968&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Bem, à medida que me aproximava e nada via, ouvi um deles dar um tiro. Pum!!! No vale parecia que toda a selva se desmoronava! Pum !!! Outro! Aproximei-me e vejo o que não imaginava! Uma jibóia com 4,70 metros, o que para nós a tornava colossal! Deu-lhe os dois tiros porque, segundo eles diziam, estava a levantar-se em tom ameaçador! Tinha os dois tiros de G-3 na cabeça. Um no centro e outro mais ao lado. Fazia pena ver a bicha ali, estirada, sem razão aparente e eu não gostei nada que ela tivesse sido morta, ali, fora do seu buraco, pois o aquecimento da queimada tinha atirado com ela, cá para fora, como se tivesse havido por ali, um bafo de Primavera.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas o mal estava feito! Agora era pega-la e leva-la até ao Aeródromo, como troféu!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Peguei num punhal do mato e cortei um arbusto que o meu amigo Rafael, um Macua de Marrupa, me tinha ensinado como fazer uma corda na selva com a sub-casca de árvore ou arbusto. Atei aquela fitinha em volta da cabeça da jibóia e a um pau; nesse instante, ela levantou aquela cabeçorra a espirrar terror e sangue contra mim e eu só tive tempo de lhe tentar esmagar a cabeça com o tacão da bota. Só parei quando achei que estava bem esmagada, não fosse fazer uma tentativa igual imanada de um terror inimaginável!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/23/Boaconstrictor.jpg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma boa constritora tirada da Wikipédia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Dei os nós cegos à fita tirada do arbusto e comecei a arrasta-la. Era bem pesada e tivemos que nos revezar para a levar de rastos até à base. Fomos pelo corta-mato até à pista e custou-nos bastante, pois estávamos muito longe. Quando cheguei à pista com ela sempre a fungar sangue e terror, olhei bem os olhos mortíferos do animal e achei que ela se recusava a morrer! Eram cinco horas locais quando chegamos e estavam os pretos civis a abandonar o trabalho que realizavam para os nossos serviços de infra-estruturas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Pedi a um deles para lhe cortar a cabeça com uma catana mas, o gajo disparou numa correria louca, e outro, e outro e ainda mais outro! Todos fugiam, até que um, bem mais atrevido, se aproximou com uma catana e lhe deu o golpe de misericórdia, cortando-lhe a cabeça. Era uma jibóia média mas já metia muito respeito a qualquer e preparava-se para ser a grande senhora das &quot;lânguas&quot; de Marrupa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ainda hoje lamento a morte daquela bela &quot;rapariga&quot; que com dois tiros de G-3 na cabeça, tão valentemente tentou insurgir-se contra a morte e contra os seus carrascos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>marrupa</category>
  <category>jibóia</category>
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  <pubDate>Tue, 08 Nov 2005 21:43:22 GMT</pubDate>
  <title>O Facochero</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
  <link>https://goldeventor.blogs.sapo.pt/9159.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Outro amigo africano&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nas savanas africanas, diz o Ventor, coexistem facocheros, elefantes, leões, leopardos, chitas e um sem fim de animais. Hoje coloco aqui o que o Ventor me contou do facochero.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;«Na mesma tarde que vi o leopardo, na rapada onde a água nascia, depois da peripécia, devido à hora, decidimos regressar ao Aeródromo pelo mesmo caminho que tínhamos levado. Cada um voltou no sentido inverso e eu, que na caminhada anterior era extremo esquerdo, passei, no regresso, a ser extremo direito. Após um bocado de trajecto, caminhávamos no silêncio, na perspectiva de encontrarmos perdizes, daquelas que voam de árvore para árvore que andavam por ali, porque a outra caça teria sido espantada com a nossa passagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu continuava afastado do companheiro mais próximo que seguiria à minha esquerda e, de repente, sinto um restolhar violento no mato à minha esquerda e sinto um bólide passar junto às minhas pernas que nem sei se deu para as encolher e saltar, à retaguarda, mas creio que foi isso que fiz. Ainda em desequilíbrio, apontei a arma que ainda levava com os zé-galotes que tinha mudado no encontro com o leopardo e disparei. Só no momento do tiro é que me apercebi que o animal que ia tentar abater era um facochero!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;&quot; title=&quot;facochero3.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Gb4120a78/21094673_fbNZB.jpeg&quot; alt=&quot;facochero3.jpg&quot; width=&quot;700&quot; height=&quot;466&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Facochero, companheiros do Ventor mas sempre em fuga&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu não ia disposto a fazer fogo sobre perdizes ou fosse o que fosse mas aquele bruto terá feito tudo para me apanhar à passagem e eu iria fazer tudo para que ele se arrependesse!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Buuuuuummm! Ele ia entrar no mato depois de passar alguns metros de rapada à minha frente e não deu tempo para me esmerar na pontaria e vi que ele foi atingido no quarto direito, mais ou menos a meio, devido à guinada que deu mas, a corrida continuou por entre o mato e penetrou na floresta galeria perdendo-o de vista. Ao som do tiro, os cães saíram do mato em minha direcção e foram atrás do facochero mas, não passou, para eles, de &quot;era uma vez&quot; ...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Chamei os cães de volta e os meus companheiros de caminhada aproximaram-se de mim em correria a perguntar sobre o que fiz fogo. Contei-lhes a peripécia e limitaram-se a olhar os cães que estavam tontos com o cheiro do facochero e com o som bruto de um tiro. Dirigi-me ao local onde atingi o facochero na esperança de encontrar sangue, mas nada! Que ele levou chumbada eu tinha a certeza mas, também, apesar de ser perto, não tive tempo para lhe dar o segundo tiro, pois ele largou o baixio e entrou no mato seguindo para outro local baixo e nunca mais o vi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Eu nunca me atrevi a ir só, sem os cães, para procurar este tipo de animal africano mas, muitas vezes pensei em fazer isso, no entanto, os cães, eram uma companhia perfeita para um alerta mais completo e, como muitas vezes ia só, sem mais ninguém, a companhia dos cães era para mim mais que desejada e nunca esqueço o Zorba, a Diana, o Bolinhas e depois a outra Diana (ainda cachorrinha), filha da Leoa que foi levada de Vila Cabral para Marrupa e, por vezes, as caminhadas eram tão grandes que, durante espaços razoáveis, tinha de a levar ao colo. Eles foram meus companheiros de caminhadas, sem fim, durante oito meses e meio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas alguns dias depois da investida do facochero, outra rapaziada no helicóptero, um Polícia da Força Aérea, disparou um ou mais tiros de G-3 sobre um facochero que, ferido, com os intestinos de fora, caminhou, pelo menos, cerca de 3 kms até cair exausto. Eu dirigi-me ao helicóptero e observei o bicho e até lhe tirei fotos e ao olhar o local onde julgava ter acertado com os zé-galotes, no tal de há dias atrás, reparei que, aquele animal era o mesmo que me tentou empurrar para o lado, pois tinha as marcas que os zé-galotes lhe deixaram na perna. Eram três sulcos de raspão na pele da perna e era, sem dúvida, aquele o magano que quis atirar-me para as calendas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; title=&quot;facochero1.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Gd5129237/21094667_5cVAr.jpeg&quot; alt=&quot;facochero1.jpg&quot; width=&quot;700&quot; height=&quot;466&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt; &lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt;O facochero&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os facocheros são animais poderosos que atingem 90 cm de comprimento (cabeça e tronco), 75 cm de altura no garrote e um peso que vai até 80-95 kg. Eles têm uma cabeça gigantesca e as suas presas chegam a atingir, acompanhando a curva, cerca de 60 cm, embora, na generalidade, meçam cerca de 30 cm.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O facochero é um animal da savana, embora se veja muito nos bordos dos bosques, especialmente, em zonas lamacentas, junto a florestas galerias, em grandes varas, pastando ajoelhados no chão a apanhar raízes e tudo que lhes sirva de alimento. Eles têm as joelheiras das pernas anteriores, por baixo das articulações, calejadas e, embora já nasçam com essa zona calejada, com o caminhar do tempo ficam mais duras. Tudo, ou quase, cria as suas especializações para sua defesa e estes não são excepção mas, os animais que os caçam, também se especializam nas suas caçadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Os leões, por exemplo, para apanhar os facocheros, organizam-se em estafetas para os caçar. Assim, o primeiro leão, normalmente são as leoas, ataca-o durante um determinado espaço e, depois, passa a estafeta a outro ficando o primeiro a descansar e continuando o segundo na corrida que, depois, larga para um terceiro e este, depois, para um quarto e assim, sucessivamente, até o animal ficar completamente cansado e exausto quando, um último leão, folgado, o vê sem forças para reagir e o ataca para matar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mais tarde, em Vila Cabral, também eu me tentei especializar na procura de grupos de facocheros mas foi trabalho infrutífero. Mesmo caminhando contra o vento para evitar que eles me cheirassem, eles arranjavam sempre maneira de se afastarem de mim. Estes animais são omnívoros, alimentam-se de raízes, frutos, cogumelos, larvas de insectos, pequenos vertebrados e até serpentes. Havia na zona de Vila Cabral, uma lângua onde corria alguma água e formava extensões de lamaçais em cujas margens havia, também, grandes extensões de matagais que mais pareciam extensos silvados, no meio dos quais eles se escondiam e tinham as suas tocas de refúgio. Era impossível penetrar naquela zona e nem os cães lá conseguiam ir. Cheguei a ouvir os barulhos desses animais mas nunca os conseguia ver. Eles penetravam na mata densa e apenas diziam, &quot;adeus Ventor&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;&quot; title=&quot;facochero6.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/G5b07c838/21094672_bklv8.jpeg&quot; alt=&quot;facochero6.jpg&quot; width=&quot;700&quot; height=&quot;449&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt; &lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt; Facochero ou warthog&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Mas nas minhas caminhadas atrás dos facocheros, mais que o objectivo de tentar caça-los, era tentar vê-los bem de perto e observa-los. Nessa zona de Vila Cabral, olhando sobre o local que lhes servia de esconderijo, eu tive oportunidades de ver os &quot;pôr-de-sol&quot; mais lindos da minha vida e enriqueci a minha passagem por África, muito para além das sequências dos chamados &quot;jogos de guerra&quot;».&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>facochero</category>
  <category>&quot;vila cabral&quot;</category>
  <category>marrupa</category>
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  <pubDate>Wed, 07 Sep 2005 22:01:16 GMT</pubDate>
  <title>O Leopardo</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
  <link>https://goldeventor.blogs.sapo.pt/8666.html</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Amigo, muito sereno!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #339966; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Outra história do Ventor passada na bela terra de Marrupa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;«Um dia, em África, Marrupa, pois claro, eu e um grupo de amigos fomos à caça. Éramos quatro. Caminhávamos de costas voltadas para o Aeródromo e eu seguia na ponta esquerda. Sempre gostei de caminhar pelos extremos. Caminhávamos num monte com uma espécie de miscelânea de árvores, matos e capim. Só que eu tinha tendência para abrir a minha ala e afastar-me mais um pouco do Maralhal. Foi o que aconteceu nesse dia, pelas 16 horas, sob a alçada de Apolo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;À minha esquerda havia uma lângua (um vale) que começava a alargar-se, a partir dali e, à minha frente, havia uma clareira, sem mato e sem árvores e, do seu solo brotava alguma água (pouca) que tornava a terra húmida e a zona verde. Olhei para a esquerda a ver se via galinhas africanas (as célebres pintadas), perdizes ou, quem sabe, algum facochero (javali verrugoso). Como não via nada voltei a olhar em frente para o tal sítio quase rapado e que já conhecia de outras caminhadas e, qual é o meu espanto, ao ver, frente a frente comigo, um belíssimo leopardo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O leopardo, de pé, todo estirado, olhava-me como que perguntando a si próprio que andava este mangas a fazer pelos seus domínios. Levei a caçadeira Browning, semiautomática, de cinco tiros, à posição de fogo mas, como achei melhor, fui mudando os cartuchos que eram chumbos de caça pequena, para chumbo de caça grossa, pois tinha reforços para uma destas eventualidades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Fui mudando os cartuchos. Metia um de chumbo grande e retirava um de chumbo pequeno, até substituir, rapidamente, os cinco cartuchos e, enquanto isso, ele sempre a olhar-me e eu, cheio de vontade que os meus amigos e os cães, não se tivessem dirigido para o meu lado, não fossem eles fazer fogo sobre aquela rara beleza africana. Mas não! Eles iam bem à direita e o local não caía no seu raio de visão. Com o chumbo para caça grossa na espingarda, senti-me mais à vontade e com o cartucho pronto a espirrar, sentia-me um rei da selva! Mas o leopardo era inteligente e esse sim, ali, era o rei!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ele continuou parado e, nervoso, olhou em volta, talvez tivesse cheirado os meus colegas e os cães perdidos no matagal. Voltou a olhar-me fixamente e torceu o corpo para a sua direita ficando com toda a sua ala esquerda voltada para mim mas, a olhar-me de soslaio e sem pressas de fugir. Apreciei aquela beldade de arma pronta a disparar, mas sempre a ver se estaria por ali outro. Quem sabe não estaria por ali perto, o seu par! É deslumbrante uma figura destas, frente a frente connosco, sem paredes meias. É mais uma imagem que nunca me sairá da retina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;&quot; title=&quot;leopardo10.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/G46051372/21094660_udezb.jpeg&quot; alt=&quot;leopardo10.jpg&quot; width=&quot;700&quot; height=&quot;420&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;A beleza de um leopardo ...&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Parece que me perguntava assim: &quot;então Ventor, tens esse nariz tão comprido e nem para espirrar serve? Olha vou-me embora! Espero que ponderes bem. Um amigo não dispara sobre outro! Eu não disparei a minha corrida sobre ti e tu não vais disparar essa coisa sobre mim, pois não&quot;?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Claro que eu não iria fazer tal coisa. Afinal eu era um intrometido nos seus caminhos de caçada. Por ali havia &quot;changos&quot;, entre outros animais de todos os tipos e afinal, o que eu queria mesmo, era varrer o stress que começava a carregar-me dia após dia. Ali, o leopardo teve cambiantes que direi complementares. Não direi o medo, mas o receio de um encontro sem interesse comum, o receio de os meus colegas atirarem sobre o leopardo e sobre o nosso encontro tão inesperado e também tão interessante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O leopardo foi-se embora. Partiu rumo a ocidente, no trajecto do nosso amigo Apolo. Os cães rafeiros que nos acompanhavam, tinham ficado do lado dos meus amigos, procurando caça e eu até ali estava só mas, lá vieram eles alvoroçados da direita, como se adivinhassem o que se passava. Eles tinham ido todos atrás das perdizes que voaram à nossa frente com uma certa inclinação para a direita e eu preferi manter o contacto com a lângua pela minha esquerda. O Zorba, no seu alvoroço, corria direito ao local onde tinha estado o leopardo mas, eu chamei-o e ele esperou por mim. A Diana e o Bolinhas também ficaram junto dele esperando que eu me aproximasse, mas pareceu-me foi que eles estavam com medo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; title=&quot;leopardo14.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/G430897dd/21094661_L1YLA.jpeg&quot; alt=&quot;leopardo14.jpg&quot; width=&quot;700&quot; height=&quot;393&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600;&quot;&gt;... uma beleza serena&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Chamei o pessoal e contei-lhes que tinha visto, ali, um leopardo, frente a frente comigo e, notei pelo seu ar desconchavado que não acreditavam em nada que eu lhes contava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Com calma levei-os ao local onde viram as patarronas frescas, na lama, daquele esbelto animal. Mas só eu é que o vi e ainda bem que assim foi. Pois apareceu logo a &quot;Inquisição&quot; a funcionar. &quot;Porque não o mataste? Porque não abriste fogo? &quot;Porque ... &quot;?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nessa altura eu ainda não tinha visto a Pantera Negra a espelhar luz ao luar do planalto de Marrupa, nem nunca imaginaria ver ali um dos mais belos animais, nossos companheiros de caminhada em pleno sol. Mas, como diria o meu amigo Apolo, é para isto que ele nos dá luz! Para olharmos e verificarmos como o mundo e os que o habitam são tão belos. Vocês dirão que não abri fogo porque teria medo. Não! Não tive medo algum, assim como não tive, posteriormente, em tanta vez que por ali caminhei apenas com a companhia do Zorba da Diana e do Bolinhas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Claro que vi mais uma vez leopardos, dois numa lângua de Marrupa, ao romper da aurora depois de uma noite onde só se viam as estrelas no céu. Mas isso é outra história muito linda»!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>leopardo</category>
  <category>marrupa</category>
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  <pubDate>Wed, 18 May 2005 21:20:05 GMT</pubDate>
  <title>Uma Pantera Negra em Marrupa</title>
  <author>Quico e Ventor</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma beleza na savana!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Algures por terras de África , mais precisamente no Planalto de Marrupa, encontrei, em plena noite, uma Pantera Negra! Foi no verão de 1968, cerca das duas horas da manhã, numa noite de luar e Diana disse-me: &quot;essa é tua Ventor&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Na noite da savana, a nossa pantera negra possuía dois olhos como duas lanternas, de costas para Diana e virada para o nosso jipe. Estática, nada enxergaria encandeada pelos faróis máximos que o Tavares apontou sobre ela. Só, na noite do tempo, perante luzes tão fortes, aquele animal, negro e belo, fazia reflectir no pêlo brilhante do seu lombo a luz que Diana sobre ele fazia incidir. Era uma imagem majestática, apenas denegrida pelo despudor do Tavares em atirar com o Jipe para cima daquela imagem inolvidável!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;leopardos.jpg&quot; height=&quot;408&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/G6207e905/21091134_LUdP6.jpeg&quot; style=&quot;padding: 10px; margin-right: auto; margin-left: auto; display: block;&quot; width=&quot;700&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Pantera negra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Uma beleza em África&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Tavares, condutor da FAP no AM62, dava a impressão que morria de pavor frente a esse bicho! Nessa altura, o Tavares, estava habituado a outra Pantera Negra, mas essa era pacífica e imaginária - o nosso Eusébio - e essa outra, que ele tinha, nesse momento, na retina e em frente do nariz, era real, verdadeira e sabe-se lá, perigosa até quanto!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Nessa noite, ouvi, na rádio da Força Aérea, um apelo de guerra! Algures, no meio da selva, lá longe, as nossas tropas pediam ajuda. Eram cerca das duas da manhã de uma noite linda que até fazia dó! Na noite brilhante, Diana espraiava-se sobre a selva, linda como sempre, ou mais linda que nunca! Meti um papel no bolso de uma camisa de café com leite, dirigi-me às camaratas e fui acordar, de mansinho, o Tavares, condutor de serviço no AM62, após várias tentativas de comunicar, por rádio e telefone magnético com o Comando militar mais Central e avançado de Moçambique, sem sucesso. «Tavares, acorda», disse-lhe. &quot;Tens de ir comigo ao comando do Sector Echo&quot;! O Tavares olhou o relógio e nem queria acreditar! &quot;Estás doido? A estas horas? Quem vai mais&quot;?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&quot;Não vai mais ninguém. Vamos os dois e não temos medo. Arranca&quot;! O Tavares era um homem do Norte, algures de Trás-os-Montes e achava, como muitos outros, que estava a desperdiçar a sua juventude, naquela guerra pantanosa de África. A refilar, foi-se levantando, esfregando os olhos, vestindo-se, calçando-se e, mal humorado, ia olhando o relógio, como que com esperança que o nosso amigo Apolo se adiantasse na máquina do tempo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&quot;És doido! Sozinhos, daqui até ao fim do mundo com leopardos, leões e tantos bichos que, se calhar, nem sabemos que existem; num jipe aberto, em plena selva, numa picada de caca, que nem dá para dar a volta para trás! E aqueles gajos todos a dormir e os meus pais sem saberem os perigos que o filhinho deles corre, nesta noite linda e brilhante de luar mas que, para mim, é mais negra que a África&quot;!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O fim do mundo do Tavares, eram cerca de uns míseros 15kms até à localidade e mais um pedaço até ao comando do Sector E.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;A meio da picada, o que o Tavares mais temia! Um leopardo! Só que, destes, ele nunca tinha visto. Preto retinto - &quot;a nossa pantera negra&quot; - disse-lhe. Estava atrapalhada com os faróis do jipe, estática no meio da picada. Pensei não fazer fogo e disse ao Tavares para ter calma e permitir que o bicho fugisse, mas não! Acelerou a fundo e partiu para cima dela! Pareceu-me ouvir o impacto do jipe no bicho mas talvez tenha sido impressão. Apesar do luar, era uma zona de árvores sobre a picada e fazia-se algum escuro com as sombras, mas eu não me apercebi por onde o bicho fugiu. Será que se safou a nossa pantera negra?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Prosseguimos. De arma feita ao fogacho, eu observei a floresta, em volta, mas nunca mais vi nada e voltei-me de repente para trás para defender a nossa retaguarda de uma possível investida, ao mesmo tempo que me apetecia apertar o pescoço ao Tavares pela mariquice de atirar com o jipe para cima de uma raridade daquelas! Pela única vez na minha vida, que tive oportunidade de ver uma pantera negra, na selva, em plena noite, e não tive a oportunidade de melhor apreciar, tão grande e tão raro valor cinegético, para transportar nas minhas retinas, com mais força e clareza, pela vida fora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Depois de ver um animal semelhante a este e toda a sua desenvoltura à luz do luar de Marrupa, ainda hoje lamento a insensatez do meu companheiro de guerra que era um bom rapaz mas, demasiado insensível para tão bela, embora arriscada, caminhada. A zona era perigosa, relativamente aos animais selvagens e não só, mas era perfeitamente viável deixar a nossa pantera prosseguir na sua caminhada e vê-la reentrar nas lânguas da sua savana!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;panter-g06d3fe9a6_1920.jpg&quot; height=&quot;553&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/Be5180266/22457795_WVZE7.jpeg&quot; style=&quot;width: 960px; padding: 10px 10px;&quot; width=&quot;960&quot; /&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff6600; font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Imagem trabalhada de uma pantera negra. Na noite de Marrupa, com um luar muito fraquinho, quase só víamos os olhos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;O Tavares, tal como eu, sabíamos que o jipe aberto não nos dava a mesma garantia que um jipe fechado. Mas o risco era o pão nosso de cada dia. Naquele local, eu só, armado e quatro cães, em pleno dia, fomos apedrejados por 18 macacos! Consegui recuar e entrar na picada sem dar um único tiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Ao chegar à porta do Comando do Exército, o Tavares achava que eles não nos iam abrir a porta, mas enganou-se. Abriram-nos a porta e ainda fizeram do Tavares um herói por tentar atropelar o nosso bicho negro - a nossa pantera! Enquanto eu e o Oficial de Dia decidíamos se devíamos acordar o Comandante do batalhão ou não valia a pena, mas valeu, e tomei nota da ajuda que eles iam precisar da parte da Força Aérea, ao nascer da aurora. O nosso amigo Tavares já tinha quase toda a unidade acordada com a sua história da nossa pantera. Quando me viu sair direito ao jipe e digo &quot;vamos&quot;, verifiquei que as suas pupilas estavam atormentadas e que toda a valentia que ali exibira, se tinha esfumado num ápice!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;&quot;Sózinhos&quot;!? Perguntou o Tavares. &quot;Sim! temos a pantera à espera&quot;, disse-lhe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: verdana,geneva,sans-serif; font-size: 12pt;&quot;&gt;Voltamos a fazer o trajecto ao contrário, sem ver mais qualquer pantera negra, cor de rosa ou de outra cor qualquer!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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