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O Ventor em África

Foi assim, em 1968, em Marrupa, no Niassa. Ficamos os dois frente a frente, envolvidos por um mundo dourado

O Ventor em África

Foi assim, em 1968, em Marrupa, no Niassa. Ficamos os dois frente a frente, envolvidos por um mundo dourado

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O Vexilóide de Alexandre Magno

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Marrupa 68: foi assim que ele me olhou


Na rota do meu amigo Apolo com o vexilóide de Alexandre Magno e o mreu Leopardo


Em áfrica, tudo é grande e belo. Podem ver aqui o meu menu africano



Um PV2. Havia destes no Niassa, em operação. Bom dia Tigres onde quer que estejam


Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!

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Ventor entre as Flores

01.03.05

De Lourenço Marques a Nacala


Quico e Ventor

Ao sair da bela Baía do Espírito Santo e ao entrar no oceano Índico, as cores das águas de superfície ainda se encontravam bem sujas de tanto esfregarem as areias contra as rochas do fundo do mar, ainda influência da antevéspera, dia da nossa chegada à bela Lourenço Marques, a cidade feiticeira. Encostados aos molhes, ficaram os barcos que se encontravam no dia da chegada. Aquele porto era um rodopio e a monção que nos saudou à chegada, não tinha sido nada agradável.

O Ventor e toda a rapaziada que com ele viajava tiveram uma demonstração num bravo ensaio levado a cabo pelo seu amigo Neptuno. Apolo sorria lá de cima e, através das belas acácias, já tinha mostrado ao Ventor como aquela parte da África, onde a Princesa do Índico se espraiava, era linda e assim continuaria, certamente, depois de mais uma caminhada de cerca de 2.000 km.

 
Estação dos Caminhos de ferro de Lourenço Marques (Maputo)
 
Lourenço Marques, já ficara para trás e o Índico continuava sujo e um pouco picado, talvez devido ao reboliço do tridente de Neptuno que tanto gostava de marcar presença perante o Ventor.
À medida que o Niassa ia penetrando as águas do mar, o Ventor, caminhando pelo convés do Niassa ia observando, à sua esquerda, a grande costa moçambicana, por onde nos seus sonhos caminhavam manadas de búfalos, leões, leopardos, chitas, rinocerontes, jibóias, impalas e vários tipos de zebras e gnus, bem como toda a outra bicharada que o Ventor levava na sua cabeça. A bicharada que o Ventor tinha apreciado quando através de livros e revistas, comentários cinematográficos coloridos e filmes, foram trazidos até à presença do Ventor e que, em sonhos, o Ventor os retransportava, agora, para as suas origens.
  
 
Ilha de Moçambique
 
Rumando a Norte, vendo a quilha do Niassa cortar as águas, o Ventor verificara que todo o seu mundo ficara para trás. Todo o mundo que o Ventor conhecia, já ficara para trás! A sua última réstia tinha sido a cidade das acácias, o fim de tudo. Ali, os seus amigos tinham feito florir as flores desse outro mundo de sonhos, as suas referências. Eles eram os marcos finais da sua Grande Caminhada africana. A partir dali, tudo seria para desbravar! As referências tinham terminado no sítio a que os ingleses, noutros tempos, tinham chamado Delagoa Bay! Mas nós chamamos Baía do Espírito Santo. Avançando mar fora, as referências do Ventor eram, agora, apenas, as históricas.
 
Observando o Canal de Moçambique, entre a costa de Moçambique e a ilha de Madagáscar, sonhava como teria sido o "surfar" das caravelas do Gama e de outros, naquela mesma direcção. Recordava-se do rio dos Bons Sinais, da corrida de Fernão Veloso, que afoutadamente aceitara o convite dos indígenas para conhecer as suas palhotas tabancas e que, apercebendo-se de algo que não viria a ser nada bom para a sua caminhada africana, resolveu inverter a caminhada e pôs-se em fuga rumo às naus. Como os seus companheiros, vendo-o em fuga, tiveram de ir em seu auxílio, o Fernão Veloso dizia-lhes que corria por os saber lá longe sem a sua presença para os ajudar! Lindos os Lusíadas, agora, o principal meio das minhas referências do grande Canal de Moçambique e da costa moçambicana! 
  
 
Primeira residência do Governo Colonial, na ilha de Moçambique
 
De vez em quando apreciava umas palmeiras sinalizando ilhas ou reentrâncias no horizonte da costa moçambicana e, perdida na bruma aquilo que, segundo os mais conhecedores do Niassa, diziam ser a Ilha de Moçambique. Ela estaria lá! Um dos nossos mais célebres signos históricos da bela terra de Moçambique. Havia por ali uma ilhota com três palmeiras a que eu chamei "as três Marias"! Para lá delas ficava o "interland" de Moçambique, rumo a oeste. 
 
 
Forte de S. Sebastião, na Ilha de Moçambique
 
Por ali, à nossa esquerda, junto à costa, estaria a bela ilha de Moçambique, perdida nas brumas do Índico, com a sua fortaleza a que deram o nome de Forte de S. Sebastião. Onde os portugueses acostavam, por tempos indeterminados e que, para eles a área tivesse alguma possível função estratégica de ocupação e defesa, havia um primeiro pensamento. Construir um forte! E, a ilha de Moçambique, não iria ser excepção. Ela lá está, bela, incrustada no Oceano Índico, aguardando pelas caminhadas de homens audazes que lhe dêem o futuro que merece.
 

Capela de Nossa Senhora do Baluarte, na Ilha de Moçambique
 
Rezar a Nossa Senhora para acalmar as águas do Índico era uma maneira de estar em Moçambique, durante a nossa estadia de séculos. A capela do Baluarte foi construída, em 1522, a norte da ilha que hoje austenta vários edifícios públicos que a Unesco tornou Património Mundial, em 1991.
 
Deixada para trás, à esquerda, escondida na bruma do Índico, a ilha de Moçambique, era mais uma das minhas referências histórico-geográficas que fazia fervilhar a cabeça, balouçando nas ondas do Índico. 
Eu sabia que mais acima, à esquerda, o Niassa iria entrar numa das maiores Baías de África e com as águas mais profundas que, segundo me contavam, nos meandros da Força Aérea, em Lisboa, dava para guardar e ancorar todas as esquadras de então que a NATO possuía. Era por essa baia que o  Niassa chegaria ao Porto de Nacala.
 



O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

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