As belezas listadas

 

As zebras - segundo a visão do Ventor

 

As zebras são animais lindos e encantadores que animam os olhos de quem as possa apreciar em plena savana africana misturadas com os gnus, seus companheiros de caminhada, ou mesmo nos Jardins Zoológicos, onde enchem de alegria a pequenada e os seus avós. Apesar de serem animais belos e que nenhum mal fazem ao homem, o espírito assassino deste, tem procurado dar cabo delas e as gerações futuras só poderão continuar a apreciá-las se as gerações presentes soubessem preserva-las e mantê-las para herança dos seus filhos.

 

O mesmo se poderá dizer de todos os outros animais, incluindo o homem, que vagueiam nesta bola giratória enquanto os elementos o permitirem. Basta dedicarem-se um pouco à Astrofísica para se aperceberem do perigo que todos corremos. O Ventor, por exemplo, anda coxo e, segundo ele me contou, só um raio cósmico o poderá ter atingido na barriga da perna deixando-o a pão e laranja.

 

Mas ele até é capaz de ter razão. Os raios cósmicos andam aí a fazer fogo ao alvo e são um perigo permanente. Para além desses perigos permanentes temos ainda outras possibilidades de ficarmos tão mal na nossa Caminhada pela nossa Via Láctea que podemos desaparecer num ápice. Vejam o que dizem os cientistas. Há mais de 100 milhões de buracos negros na esfera conhecida e a confusão é tão grande que podemos imaginarmos-nos presos por araminhos, sempre prontos a rebentar. Vejam a seca que nos está a atingir! Diz o Ventor que acredita que sejam coisas do Marduk, porque ele anda aí! Este Marduk, é aquilo a que os cientistas chamam o Planeta X ou "décimo planeta". Pensa o Ventor que pode ser aquele de que ele vos fala na Mesopotâmia! Mas se é, está tudo lixado! Juntando a isto a ambição desmedida do homem, ficamos pendentes do improviso.

 

Mas continuemos com as nossas amigas zebras. Elas embelezam, de facto, as savanas!

 

 

 

São uma beleza estas amigas do Ventor

 

O Ventor diz que, lá em Moçambique, só viu as zebras do ar, quando o avião "caminhava" por cima e elas caminhavam por baixo. Isto acontecia mais quando estas máquinas desciam um pouco deixando os animais atormentados com o barulho desenfreado daquela coisa metálica que, de vez em quando, os incomodava quando aparecia, de repente, nos céus do seu mundo. Mais precisamente, nos céus do Revia e do rio Lugenda onde se podiam avistar boas manadas de zebras e bois cavalos (gnus). Por isso o Ventor tem vontade de voltar a África, ao Moçambique, ao Lugenda!

 

Mas o Ventor diz que recorda e nunca esquecerá os seus gritos que se fazem ouvir lá longe, na savana. Havia, em Marrupa, uma lângua que se dirigia para ocidente e bastante afastada da nossa zona, do AM62, talvez uns 15 kms, haviam perus selvagens, segundo lhe diziam. Mas o Ventor, que se fartou de trepar esses quilómetros, diz que via realmente aves grandes mas que para ele não passavam de abutres e, ainda hoje, quando a refeição calha peru, diz: "vamos ao abutre"!

 

Na verdade, à custa dos perus selvagens, ainda hoje, o som típico das zebras anda nos ouvidos do Ventor. Segundo o Ventor e eu acredito nele, o som mais característico dos animais, em África, é o arrulhar das rolas e os estridentes gritos das zebras. Quando nessa lângua de Marrupa os chamados perus selvagens fugiam à frente do Ventor e dos seus amigos, ouvia-se, lá longe, ainda à frente dos perus, o característico grito das zebras a que não podemos chamar relinchar!

 

Mas as zebras têm uma boa corrida (65 kms por hora) e, quando se apercebem da presença do homem, vão-se afastando sempre e só com um todo o terreno são alcançáveis. Era sempre muito longe que os caçadores profissionais apanhavam os bois cavalos (gnus) que vendiam para serem comidos por pretos e brancos, como para o Exército e a Força Aérea. As carnes que o Ventor e os amigos comiam eram, quase sempre, de caça, como boi cavalo, facochero (uma espécie de javali africano), galinhas do mato, changos (várias espécies de antílopes) e outros.

 

A propósito de corridas, a velocidade da zebra está cotada em 65 kms/hora, enquanto que a cotação do gnu é bastante mais elevada, 80 kms/hora e como andam sempre juntos, sendo a velocidade do leão de 80kms/hora também, é caso para pensar se, como dizem alguns especialistas, o leão prefere a carne da zebra à do gnu por ser mais saborosa para si ou se será de facto por ter mais possibilidades na caçada? Se calhar é as duas coisas!

 

Mas voltando à conservação das espécies, diz o Ventor que merecem grande apoio todos aqueles que, de boa fé, tudo fazem para manter, junto de nós, estes belos animais listados. Todos sabemos que os homens tal como todos os outros animais, aprendem com os seus erros. E tem sido baseado nos muitos erros cometidos pelos homens que, muitas das espécies têm desaparecido do nosso convívio. Aqui foco apenas o extermínio das zebras sul-africanas. Segundo os homens amigos do Ventor que zelam pela estabilidade e harmonia de todos os nossos companheiros em vias de extinção, a África do Sul tinha tudo para ser um verdadeiro paraíso na Terra.

Tinha uma grande riqueza de fauna, uma paisagem harmónica e um clima excelente o que fazia deste canto do nosso Planeta uma maravilha para os animais selvagens, incluindo-se as zebras. Mas os colonizadores boers que terão sido um grupo de gente inculta e egoísta, como todos os que atingiram as costas de África, ao penetrarem para o interior do Veld encontraram uma região rica em animais selvagens, cheia de espécies de zebras, manadas de elefantes, girafas, rinocerontes brancos, antílopes, etç. e logo começaram  a chacina!

 

Os animais selvagens africanos, bem como homens, os Bosquímanos, foram exterminados com a mesma fúria de homens insensatos e hoje, uns e outros, encontram-se quase exclusivamente em parques nacionais.

 

 

 

A quagga deixou-nos para sempre

 

 

As zebras quaggas, era assim que os hotentotes lhe chamavam, existiam em grandes bandos pelo Veld onde os colonizadores queriam instalar as suas granjas e por isso, na sua óptica, teriam de as abater o que fizeram até lhes acabarem com a espécie, tendo sido morta, em Aberdeen, em 1758, o último exemplar selvagem. Só em alguns dos jardins zoológicos foram mantidos alguns exemplares, durante cerca de um século, morrendo a última zebra quagga, no jardim zoológico de Amesterdão.

 

Também a zebra da montanha, assim chamada por só viver nas montanhas no extremo sul da África, a mais parecida com o burro, estará quase extinta se é que ainda existe, pois em 1956 só haviam cerca de 75 exemplares no Parque Nacional da Zebra da Montanha, na Província do Cabo.

 

Como vêm, o nosso amigo Ventor ensina-me a olhar os nossos amigos selvagens com outros olhos e a preocupar-me com eles. Por isso, eu coloco aqui o que o Ventor me ensina para aqueles que gostam de saber muitas coisas e quando levarem os vossos filhos ou netos aos jardins zoológicos que se encontram por esse mundo fora, não se esqueçam de os ensinar a respeitar os outros animais selvagens.

Para isso, devem começar por os ensinar a respeitar os companheiros de casa! Cães, gatos (pois claro), pássaros, ratinhos e ... todos os outros. Por exemplo, nas touradas, onde o bicho homem teima em divertir-se com o sofrimento do touro, não os ensinem a ir lá. Deixem que a bestice humana termine por frustração, já que ninguém está com vontade de fazer uma lei que meta no bom caminho esses "calhaus" humanos também a passear-se entre nós que nos atingem furiosamente.



O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

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publicado por Quico e Ventor às 22:39