Em 17 de Setembro, lá fomos nós, mais uma vez, a caminho de Mafra, para as vindimas do nosso amigo Checa. Rumamos de Amadora-Massamá, até ao grande Convento e aposentos de D. João V. Mas, o Convento de Mafra, é apenas, mais um marco, nessas nossas caminhadas. O Convento, o jardim das rosas, a estátua de D. João V, a estátua que homenageia a nossa Infantaria (os velhos infantes de Portugal) e, por trás, a belíssima Tapada de Mafra, onde não entro há, seguramente, 48 anos.

 

 

As uvas queriam conversar com o Ventor

 

Também o cafezinho das parras, já é um marco nas nossas caminhadas. Mas, não é nenhum desses marcos que nos levam a Mafra! O que nos leva a Mafra, é outro marco histórico que faz parte de um marco directo da nossa história pessoal. Um marco que alguns construíram desde a Base Aérea 2, na Ota.

 

Claro que, como é para trabalhar, chegamos sempre tarde! Tarde mas com a parra por companhia.

Depois o salto às outras parras, as parras do meu amigo Rui, um braço de Baco. O tirar os baldes do tractor, espalhá-los por entre a vinha, tesoura preparada na mão direita e toca a agarrar bem o cacho com a esquerda. Tricla, já está! Primeiro, segundo, terceiro e por diante. Baldes cheios e vai de levá-los para o tractor que os transportará para a Adega. Isto foi o aspecto geral da operação. Claro que comigo não foi nada disso!

Peguei a tesoura que me coube em sortes ou sorte aldrabada pelo meu amigo Checa e lá fui eu integrar-me na azáfama da vindima.

 

 

Os cachos empurravam-se para saberem se andava por ali Baco, juntamente com o Ventor

 

Mão esquerda no cacho, mão direita na tesoura e um corte seco scchrrr! Cacho no balde, tesoura travada. Mão esquerda no cacho, mão direita a destravar a tesoura e sccchrrr. Cacho no balde, tesoura travada, sempre automaticamente! Se fosse minha deitava-a ao poço, podia ser que daqui por milénios outros encontrassem lá um veio de metal desconhecido. Enchi o balde e desisti! Peguei na máquina e sacava cachos aos montes (podem ver neste link verde). Dediquei-me um pouco aos ninhos. Um de melros, outro de pintassilgos e, eis-me ali frente às belíssimas Casas de Irene.

Foram no tractor levar as uvas e eu e o Alex, de pata no chão, fotografamos tudo pelo caminho. Afinal, o Checa não precisava de nós para nada. Foi uma vindima meio a brincar meio a sério, para divertir o pessoal. Depois as tachadas, de coelho, de carne guisada e o velho atum de barrica à moda saloia.

Mas aprendi mais uma coisa: se pato de uma espécie, com pata de outra espécie, dão pato travesso, concluí que atum, mais barrica, dão "atumbar" travesso.

 

 

Depois de um trabalho fugidio, uns amandaram-se à carne

 

 

Outros amandaram-se ao coelho, como o Ventor e o Alex

 

 

E, outros, amandaram-se ao travesso, "atumbar" - Atum de barrica

 

Eu sei que, no sábado, não vou estar na verdadeira vindima, porque me iria calhar uma tesoura, travessa. E logo este ano que estou bom para trabalhar devido à ajuda do meu fisioterapeuta - o Finitro.

Mas gostei de ver todo o velho pessoal da tesoura e os pequeninos que começam a aprender, cheirando, o guloso líquido que faz as delícias de Baco e da pequenada. Quando eu era miúdo adorava o cheiro do vinho novo!

 

Mas, esta foi uma caminhada na continuação das nossas peugadas africanas.

Que tudo vos corra bem, na colheita deste ano, Checa, e que venhas na tua caminhada vinhateira a ensinares o Ruizinho como tens ensinado os teus filhos. 

 

 

O meu amigo Brutus, como se nada fosse com ele, observa o Ventor, de perto e o maralhal de longe. Ele e a sua companheira de caminhadas, são os guardiões da vinha



O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

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publicado por Quico e Ventor às 23:49